7 de dez de 2011

Joinville Esporte Clube: do abismo à redenção

Matéria especial multimídia produzida pelo Santa Catarina FC conta a história das quedas do JEC a partir de 2004 até o esperado retorno em 2011

Torcida e jogadores do JEC comemoram a volta do time aos bons tempos

Agradecimento ao meu colega Rafael Gomes, que produziu junto comigo esta matéria
 

No dia 18 de setembro de 2004, no Estádio Ernestão, em Joinville, membros da União Tricolor – maior torcida organizada do Joinville Esporte Clube – estendiam uma faixa de cabeça para baixo na partida do JEC contra o Brasiliense, pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro da Série B. Era um protesto contra a equipe que havia sido rebaixada para a Série C uma semana antes.

Após a partida que determinou a queda do Joinville, a faixa permaneceu de ponta-cabeça. Em cada ano que se passava desde o fatídico setembro de 2004, decepções, vexames e rebaixamentos. A faixa virada se tornou o principal símbolo de todo o sofrimento de uma torcida inteira. Em três anos, o JEC perdeu a vaga na Série C, foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Catarinense e virou motivo de piada nacional ao tentar comprar uma vaga na última divisão do Campeonato Brasileiro.

A cada decepção, a cada rebaixamento, lá estava a faixa de cabeça para baixo. Assim, ela permaneceu por sete anos. Até que no dia 17 de outubro de 2011, finalmente, ela foi colocada na sua posição original. Jogando contra o mesmo Brasiliense de sete anos atrás, o Joinville garantia seu acesso para a Série B do Campeonato Brasileiro, deixando para trás um passado recente de decepções, vexames e rebaixamentos. Era a hora da faixa voltar a sua posição certa. Era a hora do JEC voltar ao seu devido lugar.

A festa ficou completa pouco menos de dois meses depois do acesso. No último sábado (3), o Joinville goleou o CRB (AL) por 4 a 0 e conquistou a terceira divisão nacional – o terceiro time catarinense a conseguir tal feito. Um título para consagrar a volta do JEC ao cenário nacional. Da segundinha catarinense à segunda divisão do futebol brasileiro. Do abismo à redenção. 


Ouça a entrevista com o Presidente do Joinville, Márcio Vogelsanger:

1. Como estava o clube quando a atual gestão assumiu?


2. Qual é a atual situação do JEC?


3. Como foi o planejamento para 2011?


4. Como será o planejamento para a próxima temporada?


5. Quais são os planos para o futuro do Joinville?


6. O que o clube planeja em questão de elenco para 2012?



O declínio

Tristeza na torcida do JEC. Foto: Pena filho
2004 era para ser o ano de grandes conquistas do JEC. Disputando a Série B do Campeonato Brasileiro, a diretoria tricolor anunciou o maior patrocínio da história do clube. A marca Consul foi estampada no uniforme por aproximadamente R$ 150 mil por mês. No mesmo ano, o clube recebia da Prefeitura a Arena Joinville – maior estádio de Santa Catarina.

O que era para ser o ano dos sonhos se transformou no início de um pesadelo. Mesmo com um quarteto formado por Reinaldo Paulista, Reinaldo Mineiro, Dorival e Paulinho – considerados os melhores atacantes da Série B na época – o Joinville fez uma péssima campanha no Brasileiro. Em 23 jogos, foram 17 derrotas e apenas seis vitórias. Jogando fora de casa, o JEC não conseguiu marcar um ponto sequer. O rebaixamento para a terceira divisão nacional foi inevitável. Mas a queda era apenas o começo do poço onde o tricolor entraria.


O verdadeiro fundo do poço

Nos dois anos seguintes, campanhas modestas na última divisão nacional: 11º lugar em 2005 e 17º em 2006. E o que já era ruim, ficou pior. No início de 2007, o clube passou por mudanças na presidência. O então presidente Mauro Bertholli deu lugar a Adelir Alves. No Campeonato Catarinense, um desastroso penúltimo lugar rebaixou a equipe do Norte do Estado. O time foi obrigado a disputar um quadrangular – que servia como divisão de acesso –, no mesmo ano para voltar a elite estadual. No segundo semestre, o JEC se despediu da Série C com um 18º lugar. A chance de se garantir na última divisão nacional foi perdida após as modestas campanhas na Copa Santa Catarina e Catarinense de 2008. O Joinville estava fora da última divisão do futebol nacional. O JEC era então um time sem série.


“Compra-se vaga na Série C”. Fora do cenário do futebol brasileiro e piada nacional

Fora do cenário do futebol brasileiro, o Joinville virou destaque nos principais veículos da imprensa esportiva do país. Não por seu desempenho em campo, mas sim por suas jogadas políticas fora dele. Sem conseguir lugar na Série C, o JEC apelou para a compra de uma vaga. A intenção era pagar para que um time com pouca estrutura desistisse da competição. Assim, acreditava os dirigentes tricolores, a vaga cairia nas mãos do time. A idéia partiu do presidente do Conselho Deliberativo do clube e prefeito da cidade, Marco Tebaldi, que declarou em reunião: “Vamos comprar? 50 mil, 100 mil... Depois a gente convoca o torcedor para pagar isso."

Representantes catarinenses na Série C, Metropolitano e Marcílio Dias não quiseram “vender” a vaga para o JEC, que foi buscar no Distrito Federal o seu acesso. O clube esteve perto de negociar a vaga com o Dom Pedro e o Cinelândia, clubes do Distrito Federal.  Representantes dos times da Capital Federal viajaram até Joinville para fechar parceria, mas o presidente Adelir Alves negou-se a negociar com os dirigentes candangos. O prefeito e presidente do Conselho Deliberativo Marco Tebaldi não gostou de saber que o presidente recusou a compra da vaga, o que gerou uma crise política no clube. A essa altura, fora do cenário futebolístico brasileiro e na busca pela aquisição de uma vaga na última divisão nacional, o Joinville era a piada nacional da vez.


Deixando de ser um “fora de série”


A criação da Série D parecia ser mais um pesadelo para a sofrida torcida do Joinville. Mas o que a princípio aparentava ser mais um poço para o time se enfiar, logo se transformou na porta de entrada para a redenção.

Torcida do JEC sempre vibrante e em bom número nos jogos
O cenário começou a mudar no segundo semestre de 2008. Passado a vergonhosa saga frustrada na tentativa de comprar uma vaga para a Série C, o Joinville mudou de presidente. Saiu Adelir Alves e entrou Márcio Vogelsanger. Ele assumiu o clube com R$ 5 milhões em dívidas. Com apenas 2 mil sócios, o clube não tinha um plantel.

A vaga na Série D foi conquistada em 2009. No início do ano, o Joinville fez um ótimo Campeonato Catarinense, terminando na terceira colocação. No segundo semestre, a única competição disputada pelo time foi a Copa Santa Catarina. Com uma ótima campanha, e destaque para o atacante Lima, artilheiro da competição com 15 gols, o JEC foi campeão do torneio, conquistando o direito a participar da quarta divisão do Campeonato Brasileiro.

No ano seguinte o Tricolor chegou perto do título estadual mais uma vez. Mesmo com uma excelente campanha, perdeu a grande final para o Avaí e terminou a competição como vice-campeão. A ótima participação no Campeonato Catarinense serviu para mostrar que o time estava no caminho certo para a disputa do torneio nacional, também em 2010.


Primeiro passo: Série D

Na primeira fase da Série D, o Joinville estava no Grupo 9, junto com o Operário (PR), Oeste (SP) e São José (RS). O time catarinense ganhou três partidas, empatou duas e perdeu apenas uma, terminando em primeiro lugar com 11 pontos. Na segunda fase da competição, já disputada em partidas eliminatórias, o JEC enfrentou o Iraty (PR), venceu as duas partidas e passou para a próxima etapa. Contra o Operário, na terceira fase, um empate e uma vitória colocaram o Coelho mais próximo da Série C.

O Joinville chegou então nas quartas de final e faltava apenas uma fase para se classificar para a Série C. Mas chegar lá não foi nada fácil. O Tricolor perdeu para o América (AM) na primeira partida, fora de casa. No segundo jogo, na Arena Joinville, o empate em 1 a 1 selou a eliminação do JEC. Após o fim da competição, foi descoberta a escalação de um jogador de forma ilegal no time do América, e o Joinville ganhou a vaga do time amazonense, chegando assim, na terceira divisão.


2011: o retorno das glórias


Comemoração de gol na Arena. Foto: Léo Munhoz
O planejamento do ano do Joinville foi todo pensado para a disputa da Série C. No Campeonato Catarinense, mesmo com menor investimento, o Joinville ficou em quinto na classificação final, após ser eliminado nas semifinais no turno e no returno. Do time utilizado na competição estadual, permaneceram vários jogadores, e chegaram outros reforços para compor o elenco.

O JEC começou sua caminhada rumo à segunda divisão em um grupo de cinco times, que se enfrentaram em jogos de ida e volta. O Tricolor venceu quatro , empatou três e perdeu apenas um, para o Caxias. Os torcedores poderiam não imaginar, mas aquela seria a única derrota do time na Série C. O Joinville passou para a segunda fase junto com a Chapecoense, segundo time catarinense que disputou a competição.

Chegou a fase decisiva. Junto com o Coelho no grupo F estavam Ipatinga (MG), Brasiliense e Chapecoense. Em seis jogos, o JEC venceu cinco e empatou apenas um. Estava garantido o retorno do Tricolor do Norte do Estado para a Série B. Era a certeza de que o tempo de derrotas chegara ao fim. Com 16 pontos, e em primeiro lugar no grupo, o Joinville ainda garantiu a vaga na grande final. Em duas partidas arrasadoras contra o CRB, o JEC somou o placar de 7 a 1 e conquistou o terceiro título da Série C da história de Santa Catarina. Um troféu para dividir lugar na galeria que já tem uma Recopa Sul-brasileira, duas Copa Santa Catarina e 12 Campeonatos Catarinenses.

Um título para coroar a glória de um dos maiores clubes de Santa Catarina. Um título para colocar a faixa da União Tricolor na sua posição correta. O final de mais um ciclo da história do Tricolor. Ou o começo de uma nova era do Joinville Esporte Clube.


Veja a opinião de jornalistas esportivos sobre a trajetória do JEC:


 A tentativa do JEC de comprar uma vaga na Série C - Claudionir Miranda


  
A importância da presença do JEC na Série B para o futebol catarinense - Marcos Castiel




A importância da presença do JEC na Série B para o futebol catarinense - Claudionir Miranda



As mudanças de planejamento na Série C e na Série B - Marcos Castiel 


 


As mudanças de planejamento na Série C e na Série B - Claudionir Miranda





O investimento para a disputa da Série B é maior? - Claudionir Miranda





Todo o texto e entrevistas foram feitos por nós, apenas as fotos que foram colhidas da internet. Peço desculpas pela ausência de crédito em duas fotos, mas não encontrei o nome do autor.

Um comentário:

  1. Como Sobrevive o JEC-Joinville Esporte Clube
    Quem tem olho é rei. Quem escuta, sabe. O cego não vê, só escuta. Mas sabe escutar a palavra certa, não a palavra vazia, sem valor.
    Uma cidade de quase 600 mil pessoas, é muita coisa.
    O timinho do JEC, não tem mais que 50 mil pessoas acompanhando.
    Entre 600 mil e 50 mil é 550 mil que não dão bola pro JEC, neste cantinho de mangue, aqui em Chuvaville.
    O JEC tem quem manda, que é a diretoria, os patrocinadores, a turma que tem a caneta, tinta e $$$$$$.
    Quem põe gente pra votar no Conselho, manda no JEC.
    É a imprensa que põe os Conselheiros no JEC?
    Não, não é.
    São os sócios que põe os Conselheiros no JEC?
    Não, não são.
    Gente da classe média baixa ou humildes podem ser Conselheiros?
    Não, não podem.
    É a Diretoria que escolhe os Conselheiros que querem que sejam os Conselheiros.
    Então, quem manda?
    Torcida torce, mas não tem influência no que acontece.
    Imprensa explica, fala, mostra, mas não tem influência no que acontece.
    Então, quem escolhe a Diretoria, os Conselheiros, o preparador físico, o advogado, o médico, a Comissão Técnica, a faxineira, o cortador de grama, o motorista o TÉCNICO, o assistente técnico, a turma da base.
    São os que põe o $$$$ e tiram, como eles acham melhor.
    Os sócios põe $$$ no JEC??? Sim colocam, mas não tem vóz nem vez.
    Então, quem é que pode deixar ou tirar o Emersom Maria.
    É o Cezar Sampaio? É o Franco? É o Sagaz? É o Ramom? É o Sérgio Ramirez?
    Não, não são eles. Então quem é.
    Pergunta pro Nereu Martineli.
    Eles é que definem se o JEC vai para a série A ou fica na série B.
    A imprensa decide isso????
    Fica na torcida com os sócios e a turma da arquibancada…

    ResponderExcluir